O segundo andar do sobrado é ocupado por uma exposição permanente. A cenógrafa e produtora teatral Bia Lessa, idealizadora da exposição, se utilizou da arte local e de elementos do cotidiano dos paratienses para mostrar a trajetória da cidade.
“ Nosso trabalho surge a partir dessa premissa. A Casa da Cultura localizada no centro do Centro Histórico de Paraty, patrimônio da humanidade, perdendo a cada dia sua história através da morte de tantas “humanidades”. Histórias, estórias, objetos, cantigas. Uma imensa riqueza cultural correndo pelas ruas de Paraty em direção ao nada.
O Museu tem essa pretensão: resgatar o que está se perdendo, colocar num altar os objetos “sem importância e carregados de significado”, inserindo o indivíduo desvalorizado no centro das atenções. Invertendo um pouco os valores.
Nas vitrines, em vez de objetos de ouro, objetos pobres e repletos de vivência e significados. Nas imagens, o povo de Paraty representado por personalidades notórias e pessoas comuns, contribuindo para a documentação de um acervo oral e visual dos costumes e riquezas da terra, que não constam dos documentos oficiais da cidade.
O indivíduo representado nos depoimentos, objetos e imagens fotográficas e o povo, na qualidade de coletivo, representado pela suas mais profundas tradições que são as festas populares que ocorrem durante o ano.
Janelas convidam o visitante a dirigir o olhar para a rua, para a arquitetura dos telhados, para a beleza das esquinas, para os transeuntes que passam de um lado para o outro. Às vezes passando apenas por passar, às vezes passando para cantar com seu grupo de ciranda, e às vezes passando para rezar com os anjos da procissão. Entre o que está dentro do Museu e a vida que se encontra sendo vivida do lado de fora, cortinas transparentes bordadas com as cores e os traços de Julio Paraty revelam a riqueza cultural desse povo mestiço, que festeja, canta e reza durante todo o ano.”
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